Silencio das Ruas

Resolvi então voltar a aquele velho posto
velha conveniência
velhos companheiros

Os cumprimentei acenando, quando vi aquela garota.
Senti-me receoso em cumprimentá-la e,
antes que pudesse tomar qualquer decisão inteligente,
estava indo embora.
Minha consciência pesou, o que eu estava fazendo?
Voltei-me para dizer ao menos um “oi”,
deparei-me com a garota correndo em minha direção.

Perguntei Surpreso:
– Você não iria por outra direção ?
– Não posso acompanhar você ?
Respondeu-me com olhos de cachorrinho.

Confirmei acenando brandamente com a cabeça.
Caminhávamos lentamente pela via de acesso,
o único barulho a ser ouvido eram dos últimos carros,
depois do entardecer.
Nosso silêncio foi quebrado pelo movimento da mão dela,
sorrateiramente segurando a minha.
Apesar de surpreso, aceitei aquele gesto com um sorriso,
sutileza e
segurança

Me perdi em pensamentos, sobre o que estava acontecendo.
Sentir o calor da mão de outra pessoa,
não me era fácil e corriqueiro,
mais uma agradável surpresa.

Ela inicia uma brincadeira com minha mão,
olhei, curioso, o que ela estaria tramando,
nervosa, talvez, manteve-se olhando para frente
Girou, virou, até entrelaçar os dedos,
mãos costa a costa.
Nada pude dizer, frente a toda aquela graça
Até mesmo os carros deram um tempo
para toda aquela brincadeira,
carinho.

Reparei em seu frágil andar
– Está tudo bem? – Levei a outra mão a cabeça
Quente. – Estou bem...
– Você está com febre! Eu te levo de cavalinho.

Ajoelhei em frente da garota. Ela hesitou.
Por um momento achei que iria recusar,
até que segurou firme em meu pescoço.
Levantei-me com cautela, não era pesada.
Já tarde da noite,
aos poucos a garota foi se tornando mais pesada,
quando me dei conta, ela havia adormecido.