Feiticeira.

E a bela jovem de rosto inocente deixou escapar a frieza de seu coração.

- Uma vez aqui em cima, não há como voltar. É para sempre até que a morte nos separe.

Ela havia dito quando se conheceram, logo após aquela difícil escalada.
Mas talvez não tenha realmente a conhecido.


- Cante-me uma bela canção. - Ele solicitava com cortesia.
- As canções que canto já não são para ti, pois tu meu senhor, já me pertence.

Os dias se passavam e a torre tornava-se cada vez mais fria, assim como as noites ficavam cada vez mais longas.

- Como pode você ter vivido aqui por tanto tempo? - Tentava iniciar uma prosa...
- Ora, o tempo não é importante.

Em uma noite de lua cheia, a luz da lua inundou completamente o aposento. “Mas como pode ser?”, pensou consigo mesmo o jovem cavaleiro. Ora pois, a donzela que espreitava o céu noturno era uma desconhecida. Seus cabelos tornaram-se pálidos e seus lábios rígidos e sem expressão, seus olhos porém eram um misto de dúvida e maldade.

- Quem é você!? - Perguntou sem exitar. Mas ela limitou-se a olhá-lo com desdém.

Ele aproximou-se e a tomou nos braços, olhando no fundo de seus olhos na tentativa de resgatar aquele brilho de outrora.
Chegou ainda mais perto, queria sentir seu calor, mas quando os lábios se encontraram foi como se o inverno tivesse por fim chegado. Um arrepio percorreu sua espinha, livrou-se dos braços dela afastou-se ligeiramente aterrorizado.

- Não há como voltar... é para sempre. – Ela disse com um olhar malicioso, enquanto afagava seus lábios congelados com as pontas dos dedos.

A lua estava deslumbrante, o reflexo no lago ao redor da torre multiplicava sua beleza, enquanto caía pôde ouvir um grito macabro e estridente que rompia o silêncio do vale, mas mesmo assim, o cavaleiro sentia paz. Ele sorriu.

“Eu não disse as palavras...não, eu ainda não havia dito... ainda bem, ainda bem...”

[...]

- Senhor? Senhor está me ouvindo?

O cego chamava por ele enquanto o outro tentava puxá-lo para a margem mais distante da água. Por mais quebrado que estivesse, sentia-se vivo, sentia-se quente. Abriu os olhos por um instante e viu o clarão que iluminava a noite, as palavras sairam com dificuldade:

- Meu jovem companheiro...veja... a torre... a torre arde!

Tornou a fechar os olhos, e desta vez dormiu. Sonhou com uma donzela.







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