Calada da noite, até mesmo os grilos fizeram silêncio para observar a chuva caindo sobre o rapaz na sarjeta.
Fitava inconscientemente a fraca luz do poste acima de si. Pingos caíam diretamente em seu rosto, sem nenhuma brisa para levá-lo embora. Ficaria ali pela eterna noite.
- Até quando pretende ficar nessa escuridão?
Um homem parou diante do rapaz; de onde teria vindo, ninguém poderia saber.
- Vamos, levante-se!
O rapaz apenas abaixou sua cabeça; seu cabelo molhado lhe escondeu o rosto.
- ... Não sei bem o que procura agora, mas me lembro de algo que um dia você quis.
O homem se agachou ao lado do rapaz, então depositou um pequeno objeto ao seu lado. Olhou profundamente para o negro horizonte; se levantou, começou a caminhar sem olhar para trás.
- Gostaria que caminhasse junto comigo, temos muito a ver deste mundo... Quando tomar uma decisão, sabe onde me encontrar.
Em pouco tempo o rapaz estava só novamente. Desconfiadamente, pegou o objeto deixado, era uma simples caneta de tinta azul; simples, mas sabia o que significava.
Cerrou seus olhos, um breve momento de muitos pensamentos. Levantou-se rapidamente, sentiu o sangue da cabeça lhe arrancar o equilíbrio. Enxugou o rosto com a costa das mãos. Então se pôs a caminhar na mesma direção em que fora o homem.