Velho Cavaleiro.

"Cavaleiro!..."


A voz ainda ecoa por seu capacete metálico,
Ele ouve, sem saber de onde veio, sem saber para onde irá.
A chuva, lagrimas do céu; e trovões, os gritos de socorro.
Um dia sua espada brandiu, e seu escudo protegeu.
A velinha,
O padre,
A mocinha.
Quem fora aquele cavaleiro, ninguém mais poderia contar.
Somente ele poderia dizer o que aconteceu.
Mas sua armadura se tornará como a noite,
Assim como seu coração, aos poucos, esfriando a cada pôr do sol.

"Cavaleiro!..."


A voz continua a ecoar por seu capacete metálico,
Mesmo a milhas após toda sua cicatriz, ainda lhe machucava.
Palavras de renção não penetravam sua armadura.
Carregou os grilhões da culpa por toda vida, e de nada adiantou.
Seus pés doem, seus braços estão fracos, a lâmina já não corta.
O assalto,
As ameaças,
As maldições.
Ele tentou a tudo combater, e todo resto defender.
Mas o que faz um cavaleiro, sem um cavalo.
Poderia ser um espadachim, se houvesse uma espada.
Quem sabe um defensor, mas também não tinha o escudo.

"Cavaleiro!..."


A voz ecoou; dentro de seu coração, pois não havia o capacete,
Sua rugas mostravam o quanto sofreu por deixar a todos.
Por deixar a velhinha, que lhe disse para cavalgar mundo afora.
O padre, que lhe disse para ser um escudo aos companheiros.
A mocinha,
Doce,
Sonhadora,
Ele o nobre cavaleiro, e ela a frágil princesa.
Ainda ouvia seu doce sorriso lhe chamando; "Cavaleiro!"
Mas a vida lhe foi dura, nem o tempo o perdoou.
Seu ultimo adeus a todos, todas lindas lembranças.