Tentei me lembrar em como fui parar ali, mas havia um buraco enorme em minhas memórias. Deixei meus pensamentos de lado, meus instintos diziam para ir embora.
O céu avermelhado anunciava a chegada da noite, e eu perdido em meio a velhos prédios de tijolos. Avistei uma gorda mulher ao longe, tentei alcançá-la, quem sabe não teria informações de como sair daquele lugar.
-...
Ela me falou algo, mas não pude entender. Outra coisa, porém, havia me chamado atenção.
Havia uma espécie de piscina a minha frente, me aproximei, esperava encontrá-la cheia d'água, mas havia apenas poeira por cima daquele revestimento que mais lembrava trabalhos em areia.
Me assustei ao reparar em algumas pessoas ajoelhadas ao redor da suposta piscina, o que estariam fazendo? Um salão com um buraco vazio no meio dele, até tentei imaginar do que se tratava tudo aquilo, mas percebi alguém caminhando em minha direção.
Senti um medo terrível, como se algo ruim estivesse se aproximando. O homem vestido de um enorme manto negro se aproximava com sua mão direita estendida em minha direção. Tentei correr, mas estava congelado, nem mesmo meus dedos se mexiam.
A medida que o estranho se aproximava, minha visão se escurecia, e formava uma imagem de como se três olhos surgissem da escuridão. Me lembrei das pessoas ajoelhadas, eu não poderia ficar daquele jeito. Meu desespero aumentava a cada segundo que frustadamente tentava me debater.
Quando finalmente o homem tocou em meu rosto, senti meu corpo ajoelhar-se automaticamente. Senti como se da mão dele os olhos pudessem ver minha vida. Forcei-me para desviar o olhar, talvez sem sucesso, quando pensei ter conseguido, estava deitado em minha cama.
Meu corpo todo doía, e depois daquele dia, soube que minha vida jamais seria a mesma...
