Rosas

Acordei no dia seguinte desejando que tudo fosse apenas um pesadelo. Tentei imaginar se deveria fazer alguma coisa, me lembrava perfeitamente do rosto de decepção misturado com raiva, bastaria apenas desculpas? Era um dia quente, com algumas nuvens espalhadas, as ruas me pareciam silenciosas demais, ou talvez fosse efeito do desanimo ou culpa. Estava caminhando calmamente, queria chegar um pouco atrasado.


Cheguei cerca de meia hora após o sinal, as aulas eram no fundo da escola, hesitei em entrar na aula. Inesperadamente, me deparei com a amiga dela, alguém do qual eu não queria encontrar tão cedo:

- Oiii! Tá meio atrasado hein!?

- Estou é? Vim a pé hoje, talvez devagar demais. - Bela desculpa eu dei, mas era verdade, vim propositalmente devagar - Como está a aula?

- É o novo professor, está apresentando o jeito que vai dar aula..

- E a Mah? Já chegou?

- Ainda não, ela vai atrasar mesmo, tinha consulta médica de manhãzinha. E você? vai entrar agora?

- Talvez mais tarde, quando o professor começar a passar algo... - Ela iria se atrasar, achei melhor esperar ela chegar, assim poderia conversar sossegado sem ter de pedir licença a ninguém.

Me sentei em uma direção em que podia observar a entrada de alunos. Tentei imaginar como seria a reação dela e mais importante, nada me vinha a cabeça. Não muito tempo depois, uma amiga veio ao meu encontro, dessa vez minha amiga:

- Quee!? Vai matar aula hoje então?

- Matando aula? Quem?

- Ta bom, ta bom... O professor começou a aula, vai esperar ela mesmo?

Fiquei boquiaberto com a pergunta descarada, mas tentei esconder minha expressão de surpreso.

- Hã!?... Está tão na cara assim?

- Haha! Você acha que me engana? Pense bem o que está fazendo hein.

Entreguei meu material para ela levar à sala de aula, eu ficaria o quanto tempo fosse preciso.

Era um pouco depois da duas horas, estava ficando cansado de esperar, nuvens se condensavam mais e mais, típico de verão, mas outra coisa tomou minha atenção.
Ela chegou um pouco apressada, não me viu esperando no fundo do pátio, corri até ela:

- Oi Mah, queria pedir desculpas por ontem..

- Ah, oi. Que isso, não precisa se preocupar, está tudo bem... - Me respondeu um pouco assustada, mas mais que isso, senti um enorme desanimo em sua voz.

- Tudo bem mesmo ?

- Tudo sim.

Ela continuou andando como se não quisesse falar mais, fiquei preocupado, comecei a imaginar se deveria deixar como estava ou se poderia fazer algo. "Flores!" - pensei - "Quem sabe receber alguma coisa não pode animar ela um pouco". Rapidamente sai andar pelas ruas, mas onde iria achar flores a venda ? Não conhecia muito as lojas da cidade, quando subitamente lembrei ter visto uma bela loja de flores. Era longe, mas não consegui pensar em outro lugar.

Pouco tempo depois de sair, começou a chover, não estava forte mas, havia hora pior para chover? Não me importei e continuei a caminhar, mas parece que a natureza queria me impedir de continuar, a chuva aos poucos começou a engrossar, não tive escolha a não ser parar numa pequena conveniência pelo caminho. Não deixei minha mente se abalar naquele momento, estava convicto de que seria um ótimo presente, esperaria o quanto tempo fosse necessário. Em cerca de dez minutos a chuva havia parado repentinamente, típico de verão.

Continuei minha caminhada, dessa vez mais rápido, não queria ser surpreendido pela chuva novamente. O caminho era atravessando o rio da cidade, meio perigoso devido ao alto trafego de carros, depois uma extensa subida, onde começou a chover novamente, para azar o meu. Mas estava contente naquele momento, a chuva não estava forte, quem sabe não apareceria um arco-íris naquele dia?