Quinze minutos mais cedo.
Conto nota a nota, nada deve faltar.Olho bomba a bomba, não vão de explodir, ainda.
A poeira tenta voar sobre meus olhos;
os carros parecem tentar me abater.
Em minhas mãos, chaves prestes a se quebrar;
tampas que não irão mais se encaixar.
Cheiro de combustível queima minhas narinas,
tosse seca, desidrata meus lábios, ânsia;
em breve me acostumo, torna-se droga.
Cinzas caem da janela semi aberta;
o fumante não tem pulmão, nem cabeça.
Uma nota molhada, cuidadosamente dobrada,
aspecto tosco, falsa com certeza.
Uma boa tarde, ou boa noite,
nem me olha; onde foi o respeito.
Pneus murchos rastejando pelo chão,
pedem ar, deixam sujeira; cade o agradecimento.
Graxa percorrendo pelos motores,
mais quente que o asfalto do meio dia;
caem rapidamente sobre meus braços,
marca que jamais se esquece; foi-se o socorro.
Nem o sol aguenta mais, vem logo bendita noite.
Correntes para lacrar, mas ainda não se pode passar.
Vai um entra dois, isso não vai parar.
Nota, nota, moeda, me perco na contagem.
Trabalho acabado, e o que me espera:
ruas vazias e um resultado negativo.