Crime Perfeito.

            "Não existe crime perfeito". Era o que eu pensava, e confesso que como criminoso esse tabu me incomodava imensamente. Dediquei então minha vida, tentando quebrar essa concepção, tentando cometer o crime perfeito.
 Foi difícil, em minhas tentativas fui pego muitas vezes, tanto que hoje sou fugitivo procurado. Outras, não cheguei a ser capturado, mas o crime não aconteceu realmente. Que crime? Ah sim, eu furto coisas, nada de assassinato, agressão ou coisa assim, não gosto de chamar atenção... Apenas o suficiente.


 Ele subiu as escadas de serviço o mais rápido que pôde, mas o suspeito parecia estar mais preparado para aquele tipo de perseguição, o investigador já deveria saber disso. Quase um mês de trabalho para finalmente chegar aquele prédio num bairro próximo ao centro da cidade, tudo corria bem, e teria sido um sucesso se o suspeito não fosse quem fosse.

- Olá detetive, está quente hoje, não?

Bandido inconsequente, sabia de meu plano desde o momento que botei os pés naquele edifício. Uma porta se fecha com força, a escada está se acabando. Ofegante, porém vitorioso, o investigador caminha em direção ao suspeito.

- Achou que ia escapar, hein? Agora somos só eu e você no topo do mundo, não tem saída, camarada.

Olhou o sujeito da cabeça aos pés, não parecia preocupado, invés disso olhava a paisagem e se pudesse ver seu rosto juraria que estava sorrindo de olhos fechados. Em sua mão esquerda carregava uma sacola de pano carmim, atada por uma corda dourada, sem dúvida a peça estava alí.

- Consegue sentir detetive? Aqui estamos mais perto do céu.

- Pois é, mas se você cair num segundo estará perto do chão. Pule pra cá e se entregue de uma vez!

Foi então que ele se virou, não estava sorrindo, mas seus olhos brilhavam.

- O crime perfeito...

Tirou os sapatos. Deu um passo para trás.

- O qu... Nããão!

Corri para a beirada do edifício, mas não pude olhar. Fechei os olhos com força e abri os ouvidos esperando escutar o som do corpo se chocando com o concreto frio e sujo do beco lá em baixo... Não ouvi nada.
Abri os olhos, lá embaixo havia uma mancha de sangue, vista do topo do prédio parecia realmente pequena, mas o corpo do criminoso não estava lá.

- Mas o que é isso...

Em minha mente ecoavam as palavras do homem:

- O crime perfeito.