- Que há para temer? Não há nenhuma outra pista daquela que será sua prometida. Siga em frente é o que eu digo. – Soou a voz do escudeiro.
- Não compartilho de sua visão meu senhor, mas em verdade vos digo, esta terra cheira a inverno, e estes sussurros entopem meus ouvidos. Há mais enigmas nesta donzela do que esperança em vosso coração.
- Sábias palavras, jovem cego. Mas não tente mensurar a esperança de meu coração. Pode somar as léguas pelas quais já percorremos neste mundo. Contar minhas feridas e cicatrizes, meus erros e fracassos, vitórias e ambições. Ainda sim, não terá obtido um valor equivalente a minha esperança.
O escudeiro cego anuiu com a cabeça, derrotado.
- Entendo.
A descida não foi difícil, o vale era sombrio e cheio de perigos, mas também era capaz de ostentar belezas, como o uivar dos lobos e o perfume das damas da noite. O escudeiro que vê, havia dito: - O segredo para chegar ao vale é a paciência.
E assim, medindo cada passo pacientemente, chegaram até lá.
Uma ponte atravessva o lago central, onde se erguia majestosa a torre de pedras escuras, tão escuras que sugavam a luz das estrelas no céu logo acima.
- Vocês ficam aqui. Entendido?
Não parecia o certo, mas levá-los comigo só me deixaria mais confuso.
- Mas senhor, tem certeza? – Disse o cego numa última tentativa de impedir-me.
- Sim, eu tenho.
Conheci uma donzela;
Misteriosa como a noite;
A lua ofuscava o brilho do Sol em seus cabelos;
E o frio denunciava o gelo em seu coração;