É impossível saber ao certo onde estamos, digo "nós" como um todo, o que sei é que essa terra está esquecida em algum lugar do universo, de tal forma que permanece conectada a diversos mundos, sem que ninguém tenha consciência disso. Talvez por isso ninguém tenha nos oferecido ajuda...
Era de manhã quando me levantei para colher algumas ervas, a neblina estava tão densa que quase desisti, mas fui seguindo a trilha por entre o bambuzal, foi quando ouvi aquele barulho incomum, como se um elefante tivesse despencado do céu. Imediatamente tomei meu caminho de volta e tamanha foi a minha surpresa ao ver a imensa cratera no meu próprio quintal.
Não demorou muito pro culpado dar as caras, quem mais poderia ser? De dentro da cratera ele saltou girando aquela vareta que insiste em chamar de bastão mágico, e veio cair bem na minha frente falando sem parar. Não ouvi uma palavra, afinal ainda estava em choque com o estrago que ele havia feito dessa vez:
[???] - Inacreditável... *suspiro* Macaco! é bom ter uma boa explicação para isso!
[Macaco] - Mas é o que estou lhe dizendo mestre Zheng! Eu consegui! HahAHah
[Zheng] - Ora, mas conseguiu o que macaco atrevido!?
[Macaco] - Eu consegui a ajuda!
Foi então que em meio a neblina uma sombra apareceu cambaleando em nossa direção, ambos olhamos para ela, eu de olhos arregalados e o macaco sorrindo orgulhoso como se tivesse feito um ótimo trabalho.
[Zheng] - Pelas barbas do Imortal! Mas o que é isso!?
[Guan Yu] - Aaai minha cabeça dói!
O garoto, saído da cratera, estava diante de nós com a mão na cabeça e mal pode se recompor, pois o macaco saltou para o seu lado empurrando o pobre coitado em minha direção.
[Macaco] - Veja mestre, é um garoto do outro mundo! E não é só isso, ele sabe a história! Eu mesmo vi quando ele ouvia atentamente cada detalhe que sua conterrânea lhe contava.
Me pareceu muito interessante...
[Zheng] - Isso é verdade meu jovem? Sabe mesmo a história? Quero dizer... você é capaz de... reescrevê-la?
Um ancião como eu já não leva consigo muitas esperanças, mas sempre fui um velho do contra. Mesmo assim algo me dizia que era bom demais para ser verdade.