Mas tamanha foi minha surpresa ao atender o telefone aborrecido:
- Alô!?
Era uma voz feminina do outro lado, e como disse foi uma surpresa, afinal ela não queria me vender nada, muito pelo contrário, foi logo me cumprimentando e dizendo que precisava muito falar comigo.
A danada parecia o Faustão e não me deixava falar, disse que tinha adorado o filme que tínhamos ido assistir no final de semana, comentou coisas engraçadas que supostamente rimos juntos naquele dia, e o quanto ela tentou me ligar pela manhã, mas o número estava ocupado.
Aqui eu já nem sabia mais o que dizer, depois de passar a manhã inteira tentando ligar pro namorado, a menina deve ter acabado errando o número. Ou então é um trote de muito mal gosto, pensei. Embora devo confessar que como nerd e encalhado de carteirinha, eu estava gostando demais daquilo.
Foi aí que, notando meu silêncio ao telefone, ela perguntou:
- Você tá muito quieto, Jê! Aconteceu alguma coisa?
Arregalei os olhos e quase que automaticamente respondi:
- Do que você me chamou?
Ela riu.
- Foi você que disse que não gostava que te chamassem de Jeslei, e que também não queria nenhum apelido amoroso do tipo "Môr"...
Por pouco não derrubo o telefone, foi um susto digno do mais horripilante filme de terror, mas enfim retomei os sentidos e decidi acabar com a palhaçada:
- Quem é que tá falando?
Ela riu de novo e respondeu:
- É eu!
tu...tu...tu..tu...
Lá do quarto escuto meu irmão gritando:
- Ow Juninho, sem querer desconectei o fio do telefone! Você tava usando né?
Ela ainda não ligou de volta...
Moral?
Me dei conta que minha linha está sempre ocupada, desse jeito namorada alguma vai conseguir falar comigo, seja ela imaginária ou não.