Great Journey 偉大征程

China
Algo entre os séculos 19 e 20 no calendário ocidental.

Após a Guerra do Ópio, o número de portos comerciais abertos ao ocidente aumentou gradativamente e como conseqüência, os costumes e a cultura ocidental invadiram o império chinês.

[???] – Guan Yu! Seus pais estão indo direto para Xangai, parece que vão demorar mais alguns dias para voltar.

[Guan Yu] – O QUE??

[???] – Eu disse que estão indo pra Xangai!

[Guan Yu] – Xia Xing eu NÃO consigo te OUVIR por CAUSA do PIANO!

A empregada sobe as escadas irritada, com o avental no ombro ela abre uma porta grande de onde vinha a clássica melodia de Mozart.

[Xia Xing] – Eu disse que ELES NÃO VEM!

Com o ruído de várias teclas pressionadas duma só vez, a música pára. De traz daquele gigante de cauda (piano) surge um garoto com uma expressão tristonha, uns 12 anos talvez. E se não fossem seus olhos puxados e cabelos negros e lisos, passaria por um típico garoto inglês.

[Guan Yu] – Talvez eu nem quisesse que eles estivessem aqui... por mim poderiam até não voltar.

[Xia Xing] – Ora deixe de asneiras! Além do mais já é tarde, você precisa dormir... vamos que eu continuo a contar aquela história de antes.

[Guan Yu] – Xia Xing, eu disse que já estou grande para ouvir histórias, ainda mais as suas que não tem nada com crimes, detetives ou bang-bang.

Xia Xing sabia como contornar qualquer situação, e com jeitinho conduzia o garoto para o quarto, ali no mesmo andar duas portas à direita. E com o garoto na cama retomou sua narrativa de dias atráz, pouco tempo depois:

[Xia Xing] – E então Sun Wukong o rei macaco, aprisionado há 500 anos por Buda, foi libertado pela deusa Guan Yin. Ele teria de proteger e auxiliar o monge Hsuan-tsang em sua jornada, e em troca seria perdoado por seus erros do passado...

[Guan Yu] – Muito nobre da parte dele... mas já chega por hoje Xia Xing, por favor. Eu já estou quase dormindo.

[Xia Xing] – Está bem, mas você deveria dar mais valor ao que é nosso, e desse jeito nunca saberá o final da historia... oras... boa noite Guan Yu.

Ela se levanta um pouco frustrada, deposita o livro sob uma mesa e apaga o abajur, sai silenciosa fechando a porta atrás de si. No escuro o garoto mantinha os olhos abertos, o sono fora somente uma desculpa para acabar com a sessão cultural, “como se uma lenda popular qualquer fosse importante”, era o que pensava.

Talvez se ele tivesse escutado só mais um pouco, se não estivesse cego pelas “maravilhas” do ocidente, se não estivesse tão enfurecido com a ausência dos pais, quem sabe... são muitos os ‘se’ mas não há como saber. A verdade é que se essa história tivesse começado diferente, talvez nada do que está prestes a acontecer teria acontecido...