Setas nos corredores pareciam indicar nosso caminho, e mesmo esbarrando em tudo e todos ela não parava de correr. Uma garota derrubou uma pilha de livros, o valentão do time de futebol jurou me pegar na saída, e meu amigo gritava de longe alguma coisa sobre as provas da semana anterior... ele não conseguiu nos alcançar.
Vejo de longe a saída, o vigilante de braços cruzados como se fosse um ser superior olhava para nós pronto para nos barrar. Ela soltou minha mão, e correndo mais forte saltou na direção de nosso obstáculo, mirando uma voadora em seu peito. O pobre homem mal pode se defender, foi arremessado contra a porta que se abriu para que ela caísse graciosamente na ponta dos pés por através dela.
Ajeitou o cabelo, e me estendeu novamente a mão: - Vamos?
Fiz que sim e agarrei sua mão. Dali a pouco estávamos na rua, ninguém nos seguia, me fez lembrar o típico conceito de liberdade que tanto falam na televisão. Chegamos ao centro comercial, toda aquela gente não era problema para nós, corríamos sem parar e sem olhar para trás.
Quase derrubo uma velhinha: - Desculpa!
Um cruzamento, quem liga pro sinal? A preferência é do pedestre, e com isso as buzinas disparam numa algazarra tremenda acompanhadas das freadas bruscas dos veículos que vinham atrás.
O cansaço começava a bater, acabávamos de passar em frente a minha casa, mas não me deu vontade de parar por ali. Ela seguia na frente, como se me guiasse para o desconhecido... onde?
- Pra onde vamos?
- Você não sabe?
- Não...
- Eu também não.
Antes que eu dissesse qualquer coisa ela continuou: - Pra onde você quer ir?
Não sei porque, mas aquela pergunta me deixou intrigado. Resolvi responder com indiferença: - Não sei ainda.
- Então a gente descobre.
Ela olhou pra mim com um sorriso indescritível, capaz de me passar toda a segurança do mundo, foi naquele momento que tive a certeza de que eu a seguiria pra onde quer que fosse.
Continuamos correndo e estávamos num viaduto quando o sol começava a se pôr no horizonte. Pude ouvir sua voz bem baixinho, cantando aquela canção:
- And when we fall, we will fall together
No one will catch us so we'll catch ourselves!
- And where we roam, we will roam forever
No one will understand what we meant.
Streetlight Manifesto.
Fim?
